quinta-feira, 15 de março de 2007

Richard Cheese **SUGESTÃO**

Aliás que Springsteen que nada, duro mesmo é ter como inimigo político o Richard Cheese. Para os que não foram apresentados, imagine um cantor de lounge music, daqueles que cantam standards acompanhados de um jazz trio, usando ternos, no estilo de Frank Sinatra, Tony Bennet e outros menos cotados. Todo bar descolado e elegante precisa de um. Mais ou menos os cantores de MPB dos Estados Unidos, sem o banquinho e os desafinos.

O nosso amigo Richard seria só mais um desses. Se não fosse um detalhe no seu repertório: Ao invés de Night and Day ou Strangers in the Night, que tal dançar coladinho ao som de Hush Pipe, Chop Suey ou Come out and play (keep'm separated) em versões swing? Sim, o camarada só faz versões de hits roqueiros ou pop. O nome da banda que o acompanha é apropriadamente Lounge against the Machine. O mais incrível é que a coisa dá muito certo musicalmente, não fica só na piada. Não dá pra não ficar amarradão ouvindo-os esculhambar totalmente muitas músicas queridas, trocando tons, ritmos e andamentos com a maior maestria.

E o Cheese ainda vai anarquizando as letras, cantando em francês, dando falsetes malucos. Na versão de Beat It do Freak Jackson, por exemplo, ele testa os limites do politicamente correto, ao interromper a baladinha (O riff do Eddie Van Halen executado ao piano) com um refrão alegre cantado por um coral de criancinhas.

Perguntado sobre de onde veio essa idéia, ele responde que a inspiração veio de bandas como a Brian Setzer Orchestra, onde o Brian fazia versões big band dos seus próprios sucessos da época do Stray Cats, ou Dread Zeppelin, que fazem versões reggae de Led Zeppelin liderados por um cantor maluco que imita o Elvis Presley. Ele ainda cita o Bill Murray, que tinha um quadro sobre um crooner que fazia exatamente o mesmo lance no Saturday Night Live.

E a citação ao Bill Murray nos dá a outra pista sobre quem é Richard Cheese. Na verdade, trata-se também de um comediante profissional, o nome real do cara é Mark Jonathan Davis. Com boa voz, ele fazia jingles para rádio e locuções em geral. Ele fez um personagem num programa da KROQ, um cara de 55 anos que tentava convencer as pessoas da rádio, que só tocava Rock, que o Sinatra é que era o cara. Depois rolou uma vinheta para a NBC com a idéia de recriar as aberturas das sitcoms em ritmo de lounge, e a evolução natural da coisa acabou sendo o Richard Cheese. Ele acabou contratando uma banda de músicos profissionais (cognominados Buddy Gouda, Bobby Ricotta e Gordon Brie) e seu alter-ego se tornou mais conhecido que ele mesmo, com 3 álbums gravados, vários shows pelos Estados Unidos, incluindo noites em Las Vegas, capital dos cantores superstars para divertir velhinhos (Por exemplo, a Celine (ó)Dion faz temporada permanente por lá).

Se alguém não acha a idéia tão original, ele tem a resposta:

"Tanta gente diz que faz a mesma coisa no chuveiro, e até eu fazia isso também. Acho que isso já foi feito antes, e será feito novamente. Mas ninguém tem esse paletó maneiro de pele de tigre que eu tenho."

Não dá pra discutir com isso, né?

Então onde entram o Springsteen e política é que o nosso amigo também está contra o Bush, dando força ao movimento Rock the Vote. Ele promete em seu site que não vai mais tocar até que o Jorge Moita saia do gabinete (Nenhuma conotação homossexual aqui). E ainda promete jamais tocar nos estados que votam no Bush. Ele dá 3 motivos, a saber: O Bush nunca comprou um CD dele, nunca convidou pra tocar na Casa Branca, e nunca deixou-o fazer sexo com as suas filhas. Comédia à parte, neste manifesto ele explica o porquê, de modo bem contundente. Um trecho diz:

"Estou atacando o George W. Bush porque ele atacou a mim e a meus fãs, e mentiu para todos nós. Não havia armas de destruição em massa; O Iraque não tinha nada a ver com 9/11; a missão não foi cumprida. Nosso mundo NÃO está mais seguro...É impossível pra mim continuar cantando e divertindo os outros quando tanto estrago está sendo feito à nossa liberdade, nossa nação e nosso planeta."

Ele ainda recomenda que as pessoas assistam ao Fahrenheit 9/11 do Michael Moore, e que escrevam pra ele para debater. Eu escrevi, nada engajado, mas só dar um alô, e ele mandou saudações aos fãs do Brasil (que só o conhecem por mp3 e nunca compraram um álbum dele, que não é vendido aqui, mas eu não mencionei esta parte), e aquele papo de sempre sobre uma possível turnê latino-americana em 2005. Então é isso, um cara com uma obra que vale a pena conhecer, uma postura política forte e que ainda responde os e-mails. Quando eu for artista quero ser que nem o Richard Cheese. Com o paletó e tudo. [FONTE]

abaixo vou postar os seus álbuns..
BAIXEM!!!


Unreleased Material
http://tinyurl.com/2l3u8o